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Manto será apresentado na próxima quinta-feira (11)

Entre os muitos símbolos do Círio de Nossa Senhora de Nazaré o manto que cobre a imagem peregrina da santa é um dos mais aguardados pelos devotos no Pará. A confecção da peça é feita por voluntários convidados pela diretoria da festa, que se dedicam meses antes da festa. O resultado desse trabalho, desenvolvido no maior sigilo, está prestes a se tornar público, já que o manto será mostrado aos devotos na próxima quinta-feira (11).

Este ano o desenho foi criado pela artista plástica Celeste Heitmann. Apesar dos 35 anos de profissão e 15 de experiência na confecção de camisas para o Círio, desenhar o manto era algo que ela jamais imaginava. “Sempre achei que era uma coisa muito fechada, nunca pensei fazer parte e, de repente, surgiu o convite, assim, numa conversa super informal”, explicou Celeste.

O trabalho começou no início do ano e, apesar da surpresa, a artista garante que desenhar o manto não foi tão difícil, principalmente porque tanto o tema como a concepção da arte já são determinados pela diretoria da festa. O material usado é bem básico e consiste essencialmente em papel grosso, lápis, lapiseira e uma aquarela que aos poucos vai dando as cores do manto. Celeste teve como inspiração o altar da Basílica Santuário, especialmente o arco de madeira.

Para iniciar o trabalho, ela explica que pesquisou e assistiu a vídeos sobre o tema. Todos os passos diários na criação do desenho estão registrados em um diário elaborado para deixar este momento registrado na vida e na memória da artista plástica, que nasceu numa família de católicos e devotos da padroeira dos paraenses. “Quando desenhava conversava com ela, sentia Nossa Senhora perto de mim”, diz Celeste.

CONFECÇÃO

Depois de entregue o desenho, em 1º de abril, a etapa seguinte foi a confecção do manto. É o momento em que os traços de papel vão ganhando forma no tecido. Quando a estilista Kathia Novelino recebeu o telefonema da diretoria do Círio fazendo o convite mal conseguiu acreditar no que estava ouvindo.

“Chorei, fiquei apavorada, me senti desafiada de tão grande que foi a surpresa”, relata. Mas confeccionar o manto de Nossa Senhora não chega a ser algo exatamente novidade na vida da estilista. A sua mãe, Paula Novelino, falecida em 2006, também confeccionava mantos.

Daí em diante o trabalho passou a ser diurno. Bolar, criar, selecionar cores e texturas são os primeiros passos para a criação da peça. É preciso também discutir ideias, seguir padrões e as normas da Arquidiocese de Belém. Aos poucos as ideias vão sendo passadas para o tecido, trabalho desenvolvido por uma equipe de mais 5 pessoas.

A parte mais difícil, conta a estilista, é chegar na forma desejada. Depois acrescentar bordado, linhas, pedras e tantos outros adereços que tornam o manto uma peça delicada e estilosa. Kathia definiu o manto como clássico e sóbrio. Para ela, a sensação percebida durante todo o trabalho de 6 meses foi de proteção.


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